“Ressurgida” por volta da década de 40, por um ocultista britânico chamado Gerald Gardner.A religião de Gardner baseava-se em conceitos espirituais preexistentes, combinados por ele em uma nova maneira, para formar um novo sistema. Sua mistura de magia cerimonial com Bruxaria hereditária e ritual maçônico foi simplesmente genial. E, com a ajuda de pessoas como Doreen Valiente, Dion Fortune, Roos Nichols, e outros notáveis estudiosos, ele foi capaz de criar uma religião nova e dinâmica.
A Bruxaria, ou Wicca, como nós a conhecemos hoje, não é a única sobrevivente da Antigüidade, nem é uma mistura de diferentes persuasões espirituais. Apesar de os fatos dos ritos pagãos, das práticas Xamânicas, e do louvor à deidade feminina serem anteriores a cristandade, não há ainda evidência de uma religião Wicca estabelecida anterior ao ano de 1951.
Após a revogação final do ato de Bruxaria Inglês em 1951, Gerald Gardner quebrou o voto de silêncio mantido com o coven New Forest. Então publicou diversos livros e logo todo o mundo sabia que a Bruxaria estava viva, forte e abertamente praticada.
A partir dos anos 60, as pessoas envolvidas em Bruxaria, Magia, e ideais pagãos relacionados começaram a propagá-los. Mais livros surgiu no mercado, covens foram iniciados, e a Wicca estava em seu rumo para se tornar uma religião reconhecida. Hoje há centenas de organizações Wicca nos Estados Unidos, e espalhados por todo o mundo, que dão apoio às idéias de Gardner.
A palavra Wicca (pronuncia-se “uíca”), é só um termo bonitinho que Gardner e seu amigo Aliester Crowley deu para Bruxaria. O significado da palavra Wicca pode ter vindo das palavras witch (bruxa) e wit (sabedoria, astúcia, esperteza), ou pode ter nascido de antiga palavras como vitega, veitsga, weissager, wetekey, todas ligadas ao significado de profeta. Uma historiadora americana diz que a palavra certa é witta. Há quem diga que á Wicca pode ter vindo do inglês arcaico Wicce, que quer dizer dobar, girar ou moldar.
A Wicca é uma religião em que não existem livros sagrados, nem profetas a justificá-los, hierarquia ou dogmas. Não faz apelo a uma fé única e exclusiva, não tem mandamentos e promove acima de tudo o respeito e a diversidade. Não é também um sincretismo religioso porque vários sincretismos são possíveis. É uma escolha pessoal para aqueles que sentem que a sua percepção do sagrado não só não se enquadra nos esquemas tradicionais como é algo demasiado individual para se sujeitar a conjuntos de regras e crenças que outros determinaram.
As poucas regras existentes na Wicca têm um caráter essencialmente funcional e são vistas não como mandamentos de qualquer divindade ou profeta iluminado, mas como simples normas de relacionamento entre pessoas que partilham interesses comuns. São apenas alguns princípios genéricos ligados a valores ecológicos e individuais de largo consenso e à liberdade de expressão da religiosidade como é sentida e recriada por cada um. O seu espírito está bem patente na regra básica "Faça o que desejar se a ninguém prejudicar", a única regra que todos os membros da Wicca procuram seguir.
A Wicca tem a sua maior implantação nos países anglo-saxônicos, onde a longa tradição democrática e o Protestantismo permitem um maior individualismo - chamando a estes praticantes de Bruxos Solitários. E para além das práticas individuais, os Pagãos agrupam-se em pequenos núcleos, tradicionalmente de 13 pessoas - ao qual chamamos de Coven. Cada Coven possuem as suas regras e tradições; e ainda podem juntar-se em grandes encontros. Nestes encontros estendem-se ao campo religioso os princípios de liberdade de expressão e de associação já há muito aplicados em outros setores da sociedade. Ao contrário de outras religiões e de outras organizações, não existe aqui uma estrutura hierárquica nem uma autoridade central.


A Regra de Três


A Regra de Três, do sexto versículo da Lei Wicca, afirma que “o que enviamos volta para nós”. Isso significa essencialmente que qualquer energia que enviemos em um encantamento, seja ela boa ou má, retornará para nós triplicada, ou três vezes mais forte. Por que precisamos disso, se já dissemos que seguimos a Rede? A Regra de Três é um reforço para a Rede, pois traz à baila o conceito de recompensas positivas por atos positivos e resultados negativos para atos negativos. Cada um de nós é responsável por seus próprios atos.
Em muitos casos, os efeitos da Regra de Três podem não ser óbvios para o recipiente. Por exemplo: se alguém representando uma instituição de caridade bate à minha porta pedindo uma contribuição e eu lhe dou vinte reais, isso não significa necessariamente que uma semana mais tarde meu banco vá descobrir um erro de sessenta reais na minha conta, a meu favor. Na verdade, minha recompensa por esse ato positivo pode tomar muitas formas que não sejam a forma óbvia do ganho financeiro. Quase qualquer coisa que me traga uma recompensa, seja emocional, mental ou física, em qualquer época futura, poderia estar ligada ao efeito Regra de Três, causado por minha ação positiva. Por outro lado, se uma pessoa violar a Ética Wicca, empreendendo uma ação contra outra, calculada para prejudicá-la, também acontecerá que o perpetrador rapidamente receberá sua própria medida de prejuízo, três vezes maior do que aquela que enviou, ou receberá de volta exatamente da mesma forma.
A Regra de Três não funciona necessariamente em uma base linear imediata, de dar e receber, e só poderá ser percebida posteriormente, quando a Regra for aplicada de alguma forma. Na verdade, os resultados podem ser totalmente transparente para o praticante. Isso quer dizer que, se enviar energia com o propósito expresso de prejudicar alguém, é bem possível que a medida de dano que você receba de volta esteja mascarada e não seja reconhecida por você como tal. É possível que a Regra aja de tal forma que você não receba um resultado negativo óbvio, mas que algo que poderia Ter sido um resultado muito positivo lhe seja negado.
Como ilustração, vamos presumir que, por alguma razão, você faça um trabalho de encantamento especificamente destinado a enviar a outra pessoa alguma coisa negativa. A Regra de Três garante que, como resultado de sua ação, você experienciará algo negativo em sua vida. Isso poderia ser alguma coisa óbvia, como um carro roubado ou uma série de danos, ou poderia ser transparente para você ao notar que algo de bom que deveria ter acontecido em sua vida simplesmente não aconteceu. Por exemplo: suponhamos que o próximo bilhete da loteria local estivesse pré-ordenado para ser um vencedor de um milhão de reais. Em vez de comprar aquele bilhete e receber uma riqueza instantânea, vamos presumir que você, de alguma forma, teve um imprevisto de última hora, que fez perder o lugar na fila. Resultado: outra pessoa comprou o bilhete premiado que deveria ser seu. A outra pessoa torna-se vendedora, e não você. Nesse caso, você foi realmente o recipiente de pelo menos três vezes o mal que tentou causar, mas tem consciência disso? Provavelmente não. Embora a Regra de Três tenha funcionado, isso pode ter acontecido de uma forma que não foi óbvia para o recipiente da reação negativa.
Isso levanta a questão de por quanto tempo uma pessoa pode razoavelmente esperar uma reação positiva ou negativa, o que, por sua vez, nos leva a um breve debate sobre o carma e a retribuição cármica ou débito cármico. Meu próprio sistemas de crenças me diz que a resposta a qualquer ato bom ou mal de minha parte será experienciada, às vezes, nesta vida, só que não sei quando nem como. Pessoalmente, não acredito em retribuição cármica ou em pagar pelos erros desta vida em uma outra, e não acredito que experienciemos, em uma vida, os horrores que possivelmente infligimos a outros em vidas passadas. Por exemplo: acho inconcebível que uma criança sofra nesta vida abuso físico ou emocional por Ter feito o mesmo em uma vida passada. Isso simplesmente não combina com os conceitos gerais de amor e confiança da Wicca como os compreendo.
Nossa filosofia de reencarnação, como a entendo, é um processo de crescimento e aprendizado. Nós reencarnamos no mundo físico, caso seja essa a nossa escolha, em uma época e lugar adequados a nosso crescimento espiritual, ou talvez para funcionarmos como guias ou mentores de outros. Nossos eus espiritual e emocional estão constantemente aprendendo e expandindo rumo à união definitiva com o Um, e não acredito que uma reencarnação de dor e sofrimento causados por algum débito cármico faça parte desse processo.
Acredito plenamente que nós todos experienciaremos os resultados da Regra de Três em nossos atos nesta vida, e que os resultados nem sempre serão óbvios para nós, nem mesmo tardiamente. A Regra está sempre em efeito; talvez apenas não percebamos que ela teve um impacto em nossa vida.
 

O Certo e o Errado em Nosso Ofício (Craft)


Aqui você vai ver o certo e o errado do nosso Ofício, basicamente os ponto que fazem da Wicca e Bruxaria uma religião mal vista pela sociedade.

1. Adoração do Demônio, Satanismo ou “Massas Negras”

Na Wicca, não existe adoração do demônio nem de figuras satânicas como Satanás ou o Anticristo, e não existe uma massa negra onde ladainhas cristãs são pronunciadas de trás para diante e os símbolos cristãos difamados. Nenhuma dessas práticas existe, nem jamais existiu na Wicca. O demônio e o inferno são partes da teologia cristã. Eles simplesmente não existem na Wicca, e tais conceitos jamais fizeram parte de nossa religião.


2. Bestialidade ou Sacrifício de Sangue

Não há contato sexual com animais nem quaisquer atos de bestialidade no ritual wicca, e nunca houve qualquer tipo de sacrifício de sangue em nossos rituais, seja por que propósito for. Vários ritos de bestialidade, supostamente realizados por feiticeiras durante a Idade Média, eram simplesmente produtos da imaginação. Nenhum wicca jamais realizou ritos de bestialidade. Quanto a sacrifícios de animais, o wiccan celebra e venera a vida, e muitos de nossos rituais do Sabá são dedicados ao conceito de vida eterna. Embora algumas religiões pagãs realizarem rituais com sacrifício de animais, ocasionalmente, isso não faz e nem nunca fez parte da Wicca.


3. Atos Sexuais Públicos

Os rituais da Wicca não incluem orgias nem demonstrações públicas de atos sexuais. Embora algumas feiticeiras escolham praticar o nudismo em iniciações ou outros rituais específicos, isso é feito apenas com pleno conhecimento e consentimento de todos os membros do Coven. Como a Wicca é essencialmente uma religião da fertilidade, há alguns rituais ou ritos que têm um sentido sexual evidente, como o Grande Rito, ritos específicos para o Deus de Chifres e mesmo alguns da lua escura, todos eles tratados nos próximos capítulos. Trabalhamos envolvendo nudismo e esses outros ritos jamais são realizados em público e dele participam apenas membros ou participantes do Coven, plenamente conscientes, e com seu consentimento.


4. Adoração de Ídolos

O Deus e a Deusa são tipicamente representados pelo cone do pinheiro e pela concha, respectivamente. Os wiccans reconhecem o símbolo do Deus como sol e o da Deusa como a lua, mas esses objetos são símbolos e não são adorados como divinos. São apenas imagens usadas para representar o Senhor e a Senhora durante nossos vários rituais.


5. Magia Negra

A magia, com o objetivo de prejudicar alguém, não é usada nos rituais da Wicca. As discussões prévias deste capítulo devem esclarecer amplamente tal afirmação.
Reconhecemos, naturalmente, que alguns dos atos já mencionados são ou foram praticados por outras religiões pagãs. Até reconhecemos que, em alguns casos, sacrifícios humanos podem Ter desempenhado um papel em algumas celebrações druídicas, pelo menos segundo a descrição dessas celebrações feita por Júlio César. Entretanto, esses atos são ou eram partes viáveis dessas religiões, e são ou eram significativos e importantes para os praticantes, assim como nossos ritos e rituais o são para nós. Seria uma atitude hipócrita comentarmos negativamente atividades ou práticas de outras religiões, simplesmente porque não entendemos nem concordamos com tais práticas, ou porque elas não se encaixem em nosso sistema de crenças particular. Qualquer prática adotada por um Caminho religioso precisa ser compreendida a fim de ser aceitável para os seus seguidores. Desejo apenas tornar claro que esses atos não são, falando de uma forma geral, praticados pelos wiccans atuais.


Os 13 Princípios da Bruxaria


Todos os praticantes da religião da Deusa devem ou deveriam procurar seguir os 13 princípios básicos propostos.


1- Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da lua e aos feriados sazonais.


2- Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a nosso meio ambiente. Buscamos viver em harmonia com a natureza, em equilíbrio ecológico oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito evolucionário.


3- Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito que é aparente a uma pessoa normal. Por ser tão maior que ordinário, e às vezes chamando de “sobrenatural”, mas nós o vemos como algo naturalmente potencial a todos.


4- Nós vemos o poder criativo do Universo como algo que se manifesta através da polaridade, como masculino e feminino, e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós, funcionando através da interação das mesmas polaridades masculinas e femininas. Não valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade como prazer, como o símbolo da vida, e como uma das fontes de energias usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.


5- Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos (às vezes conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc.) e vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercícios mágicos. Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambos como necessárias para a nossa realização.


6- Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária (em alguns casos), mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que corajosamente deram de si em liderança.


7- Nós vemos religião, magia e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o mundo e vive nele, uma visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como Bruxaria ou o Caminho Wicca.


8- Chamar-se de “Bruxo” não faz um bruxo, assim como a hereditariedade, ou a coleção de títulos, graus e iniciações. Um Bruxo bisca controlar as forças interiores, que torna a vida possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a natureza.


9- Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida em uma continuação de evolução e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao universo que conhecemos, e a nosso papel pessoal dentro do mesmo.


10- Nossa única animosidade acerca das Tradições Cristãs e outras é que elas afirmam ser “o único verdadeiro e correto caminho”, reprimindo as outras formas de prática e crenças.

11- Como Bruxos americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte (ou Ofício), das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes Tradições. Somos preocupados com nosso presente e com o nosso futuro.

12- Nós não aceitamos o conceito de “mal absoluto”, nem adoramos qualquer entidade conhecida como “Satã” ou “o Demônio” como o definido pela Tradição Cristã. Não buscamos poder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.


13- Trabalhamos dentro da natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.
 

13 Metas de Uma Bruxa


1- Conhecer você mesma.
2- Conhecer a sua Arte.
3- Aprender.
4- Aplicar o conhecimento com sabedoria.
5- Manter o equilíbrio.
6- Manter as palavras em ordem.
7- Manter os seus pensamentos em ordem.
8- Celebrar a vida.
9- Sintonizar-se com os ciclos da Terra.
10- Respirar e comer corretamente.
11- Exercitar.
12- Meditar.
13- Honrar o Deus e a Deusa.