Toda Deidade
cultuada neste planeta existe como arquétipo do Deus e da Deusa. os
complexos panteões de Deidades surgidos em muitas partes do mundo são
simplesmente aspectos desses dois. Toda deusa reside no conceito da Deusa.
Todo deus, no do Deus.
"Scott Cunningham"
A Grande Mãe
a Senhora da Lua
Oração à Grande Mãe
Oh! Grande Deusa da Terra, da Lua e dos Mares,
Tu és a força feminina primitiva e eterna,
É tu quem dança florida pelo ares,
E as mulheres são tua imagem aqui na terra.
Tu não pranteias a morte de teu filho,
Pois estais com ele em teu ventre.
A roda gira desde o princípio,
E por ele sempre Estais contente.
Embora a escuridão da noite seja Teu domínio,
A alegria do renascimento é tua dádiva,
A eras provoca nos homens fascínio,
A muito fertiliza as terras áridas.
Vem com Tua plenitude a este círculo,
Derrama magia e poder, paz e sabedoria,
Para regozijar nossos espíritos
Para que desfrutemos o dom da alegria.
Para entendermos corretamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os
primeiros povos da Terra.
A Mãe Primordial que teria criado tudo e todos, até seu próprio complemento
masculino, está na base filosófica e fundamental de todas as mitologias e
Religiões Antigas.
Na compreensão humana primitiva a Mãe precedeu o nascimento do Pai.
Percebemos isto em todos os mitos sagrados anteriores ao patriarcado e
quanto mais antigos são estes mitos, mais isso se confirma.
Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a
existência da Terra à poderes divinos, consideraram que o poder que
conspirou para que o Universo fosse criado era feminino. Como só as mulheres
têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos ancestrais começaram a
acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa.
Os povos dos Neolíticos e Paleolíticos não conheciam Deuses masculinos. O
conceito do ato sexual como fator de fecundação inexistia, pois eles
acreditavam que as mulheres engravidavam deitadas ao luar, através do poder
da Grande Deusa manifestada como a Lua.
Em diversas partes do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que
existia um poder maior que agia entre a mulher e a Lua.
Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da
Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora
de tudo aquilo que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma
sociedade em processo de evolução, pois não é do ventre da mulher que todos
nós saímos?
O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nesta época o respeito ao
feminino e o culto aos mistérios da procriação eram muito difundidos. Nas
culturas primitivas a mulher era tida como única fonte da vida, tanto que os
lugares onde ocorriam os partos eram considerados sagrados e foram nestes
lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa.
A Deusa esteve presente em todas as partes do mundo sob diversos nomes e
aspectos: Kali na Índia, Ishtar na Mesopotâmia, Pallas na Grécia, Sekhmet no
Egito, Bellona em Roma e assim sucessivamente. As Grandes Deusas da
Antiguidade exerciam domínio tanto sobre o amor como sobre a guerra.
A Deusa já foi reverenciada em todas as partes do mundo sob diferentes nomes
e aspectos. Seu nome pode variar, mas Ela sempre foi venerada como o
princípio feminino eterno e estático que está presente em tudo e incluso no
nada. Ela é o poder do feminino que dá vida ao mundo e fertiliza a terra.
A Deusa é a primeira em toda terra, o mistério, a mãe que alimenta e que dá
toda a vida. Ela é o poder da fertilidade e geração; o útero e também a
sepultura que recebe, o poder da morte. Tudo vem dela, tudo retorna para
ela. Sendo terra também é a vida vegetal; as árvores, as ervas e os órgãos
que sustentam a vida. Ela é o corpo e o corpo é sagrado. Útero, seios,
barriga, boca, vagina, pênis, osso e sangue; nenhuma parte do corpo é
impura, nenhum aspecto dos processos vitais é maculado por qualquer conceito
de pecado. Nascimento, morte e decadência são partes igualmente sagradas do
ciclo. Se estivermos comendo, dormindo, fazendo amor ou eliminando excessos
do corpo, estamos manifestando a deusa.
A Deusa da terra é também a Deusa de todas as coisas invisíveis:
conhecimento mente, intuição, poder.
A Deusa é vista com a lua, que está associada aos ciclos mensais de
sangramento e fertilidade das mulheres. A Deusa da Lua possui três aspectos:
crescente, é a Donzela; cheia, é a Mãe; minguante, é a Anciã. Parte do
treinamento de cada iniciado implica períodos de meditação sobre a deusa em
seus vários aspectos.
A tríade da lua se transforma na estrela quíntupla do nascimento, intuição,
amor, paz e morte. A Deusa manifesta-se no ciclo total da vida.
O aspecto Jovem da Deusa recebe o nome de RHIANON. Ela está associada à
adivinhação, aos ritos mágicos, à clarividência e aos encantamentos. Seus
rituais e invocações são realizados na lua crescente. Sua cor é branca e por
isso recebe o título de ALBEDO (Senhora da Alvorada). Rhianon é a caçadora,
segura em suas mãos a trompa de vaca ou touro em forma de meia lua. É a
Deusa da fartura a quem devemos reverenciar quando queremos garantir êxito
no trabalho. Seus poderes são os da compaixão, sabedoria e compreensão.
O aspecto de Mãe da Deusa recebe o nome de BRIGIT, a antiga Deusa Celta do
fogo. Seu nome significa "flecha de poder". Brigit era filha do Dagda,
sendo chamada A Poetisa. Outro aspecto de Danu, associada a Imbolc. Tinha
uma ordem dedicada a ela, formada só por mulheres, em Kildare, na Irlanda,
que se revezavam para manter o fogo sagrado sempre aceso. Deusa do fogo,
fertilidade, lareira, todas as artes e ofícios femininos, artes marciais,
curas, medicina, agricultura, inspiração, aprendizagem, poesia, adivinhação,
profecia, criação de gado, amor, feitiçaria, ocultismo. Ela está associada a
fertilidade, sexualidade e ao parto. Seus rituais são realizados na lua
cheia. Sua cor é vermelha e por isso recebe o nome de RUBEDO (Senhora do
entardecer ou do rubi). Brigit é a mãe que possui no ventre o poder de dar a
luz a uma nova vida. É a rainha da colheita a mãe do milho e derrama sua
abundância por toda terra. Segura em suas mãos o recipiente com labaredas de
fogo, o qual tem o poder de realizar os desejos daqueles que a cultuam. É a
deusa do amor e seus poderes são os da paixão, agilidade e rapidez.
O aspecto Anciã recebe o nome de CERIDWEN, a Grande Deusa Mãe que conhece
todos os mistérios do Universo. Ela está relacionada com o renascimento e a
ligação com os outros mundos. Seus rituais de invocação são realizados na
lua minguante, que é o seu símbolo. Sua cor é o negro por isso recebe o
título de NIGREDO (Senhora da noite). Ceridwen é a mãe que conserva todos os
poderes da sabedoria e do conhecimento. É ao mesmo tempo Deusa parteira dos
mortos, pois o poder que leva as almas para a morte é a mesma que dá vida.
Do seu ventre parte toda a vida e da vida provém a morte. Segura em suas
mãos um caldeirão e das misturas feitas em seu interior Ela comanda todo o
sincronismo do Universo e intervém nos assuntos humanos para auxiliar seus
seguidores. Devido ao aspecto de velha é esta a personificação que
representa o conhecimento de todos os mistérios que só a experiência pode
proporcionar. É a Deusa da sabedoria do bem e do mal. É Ela a quem devemos
reverenciar nos momentos de dificuldade e anulação de qualquer tipo de
malefício. Ela é a Deusa da paz e do caos, da harmonia e da desarmonia.
Ceridwen já passou pela jovialidade de Rhianon, pela maturidade e entusiasmo
de Brigit. Acumulou toda a experiência que só o tempo pode proporcionar, e
distribui a sabedoria por todo o Mundo.
Algumas das várias faces da Deusa:
Anfitrite: Rainha do Mar, chefe das Nereidas e esposa de Poseidon,
representa a força feminina e fecundante do mar; Deusa Tríplice marinha,
ligada aos rituais de reconciliação afetiva, riqueza e fertilidade.
Andrômeda: Deusa pré-helênica da Lua, dos planetas, das estrelas, da beleza
e da magia que, segundo o mito grego, foi salva por Perseus de ser
sacrificada a um monstro marinho e, posteriormente, transformada na
Constelação de Andrômeda
Arachne: Deusa-aranha pré-helênica, transformada posteriormente na rival de
Athena; está ligada a rituais que envolvam aquisição da casa própria,
rebeldia contra àqueles que detém o poder, e auxilia a pessoa a ver seus
limites e a não ser descomedida.
Ariadne: Deusa cretense do amor e da fertilidade, é chamada de “Grande Mãe
Fértil” e foi convertida em simples heroína pelos mitos gregos; abandonada
por Theseus, tornou-se esposa de Dioniso, o Deus do Êxtase.
Astréia: Deusa da Justiça, da perfeição e das estrelas, que abandonou a
Terra, tão triste ficou ao ver a corrupção e a maldade dos seres humanos;
acredita-se que Ela retornará na Era Dourada, no próximo reinado de Cronos.
Calipso: Ninfa do mar que acolheu Ulisses em sua ilha paradisíaca e, por
ordens de Zeus, foi obrigada a ajudá-lo a ir embora, de volta para sua
família. Envolve rituais de desapego emocional e afetivo.
Callisto: Deusa-ursa pré-helênica que personifica a força do instinto,
reduzida pelo patriarcalismo a uma ninfa do cortejo de Artêmis.
Cárites (Graças): Tríade de Deusas Lunares, companheiras de Afrodite. São
retratadas nuas e dançando. Elas são: Aglaia (a brilhante, a gloriosa);
Thalia (a florescente, a abundância); Eufrosine (aquela que traz alegria,
prazer).
Circe: Rainha das Feiticeiras, das poções e dos filtros de amor; é conhecida
como “Tecelã do Destino”, pois manipula as forças de criação e destruição
através de nós e tranças que faz em seus cabelos.
Daphne: Ninfa que foi transformada em loureiro para escapar de Apolo. Deve
ser evocada quando se estiver dividida entre dois ou mais amores, ou quando
se deseja escapar de um assédio.
Enió (Bellona): Antiga Deusa da Guerra, conhecida como “A Destruidora”, Enyo
foi precursora de Ares, transformada posteriormente em companheira ou filha
deste; está associada ao grito de guerra, às carnificinas e ao derramamento
de sangue.
Eós (Aurora): Irmã de Selene (a Lua) e de Hélios (o Sol), é a aurora de cada
dia, e está ligada à magia de rejuvenescimento, longevidade, recomeços.
Também está ligada às paixões adolescentes e platônicas.
Eríneas (Fúrias): Três Deusas punidoras dos crimes parentais, que perseguem
e acossam incansavelmente suas vítimas, castigando-as com a loucura;
trabalham também no Hades, torturando os criminosos hediondos que habitam o
Tártaros.
Éris (Discórdia): Filha de Nyx, ou irmã gêmea de Ares, segundo outros, Éris
acompanha o Deus da Guerra e rege a discórdia, a competição, a emulação; foi
a causadora da confusão inicial que resultou na Guerra de Tróia, lançando o
Pomo da Discórdia.
Eurynome: Uma das mais antigas Deusas gregas que participaram da criação do
Universo, às vezes é chamada de Afrodite Eurynome. Sua estátua era a de uma
sereia esculpida em madeira em seu templo na Arcádia. Seus rituais incluem
danças.
Fílira: Mãe do Centauro Quíron, está ligada aos rituais de aperfeiçoamento
dentro das Artes Mágicas e ao xamanismo; qualquer magia que envolva a
manipulação de ervas;
Gaia: A Mãe Primordial, a criadora da vida, a própria Terra, o poder
supremo, a mãe dos Titãs, das Eríneas, da Melíades e dos Gigantes. Deusa
ligada à fertilidade, à abundância, e ao respeito à natureza e às suas leis.
Hebe (Juventas): Filha de Zeus e Hera, é a Deusa da Juventude Eterna,
responsável pelo néctar e pela ambrosia que revigoravam os Deuses; foi
desposada por Héracles após a apoteose deste e substituída em sua função
pelo jovem Ganimedes.
Hécate: Titânida e Deusa Suprema da Magia e da Bruxaria, Senhora das
Encruzilhadas e cemitérios, Deusa Tríplice que governa a vida, a morte e o
renascimento. Traz magia destrutiva nas Luas Escuras, e magia de
prosperidade e sorte na Lua Cheia. Patrona de todas as Bruxas, Feiticeiras e
Magas, inclusive das Imortais.
Hemera: Filha de Nyx, Hemera é a personificação do Dia, e seus rituais devem
ser feitos, sempre com o propósito de iluminar, sejam pessoas, pensamentos,
situações, etc.
Horas: Deusas gregas das Estações, são: Thallo (primavera), Carpo (outono),
Eunomia (ordem), Diceia (justiça) e Eirene (paz); mas, seu número varia
segundo as fontes. Regem a ordem natural dos ciclos anuais, das estações e
do crescimento das plantas, além da natureza humana e da ordem social.
Ilítia: Parteira de todos os Deuses, é a protetora das parturientes e filha
de Zeus e de Hera; geralmente trabalhava junto à mãe, para impedir que os
filhos ilegítimos de Zeus nascessem, cruzando as pernas e os braços e não
permanecendo junto à parturiente.
Íris: Mensageira dos Deuses, personificação do Arco-Íris e Deusa da Chuva, é
responsável também por trazer as águas infernais do Rio Estige, sobre às
quais os Deuses fazem seus juramentos mais solenes.
Medéia: Deusa e maga ligada aos feitiços de vingança, morte e destruição de
inimigos e/ou rivais. Tem o temperamento tão violento que é chamada de “a
assassina Medéia”, pois matou os próprios filhos para se vingar da traição
de Jasão.
Medusa: Deusa originária da Anatólia, era uma linda mulher que foi
transformada por Athena em Górgona, uma terrível criatura com serpentes na
cabeça, que petrificava qualquer ser com seu olhar e aparência horrendos.
Está ligada à sexualidade e à magia.
Mênades (Bacantes): “Desvairadas”, é como são chamadas as sacerdotisas de
Dioníso ou Baco, sendo que as Mênades, são na verdade, seguidoras divinas e
as bacantes são mortais, que perpetuaram o culto ao Deus do Vinho. Ligadas
ao êxtase e à magia sexual, são as precursoras das bruxas.
Métis (Prudência): Titânida ligada à sabedoria, prudência e estratégias;
gerou a Deusa Athena, mas foi engolida por Zeus, que temia perder o trono
para o filho da filha que Métis carregava no ventre, quando esta era sua
esposa.
Mnemosine: Titânida que personifica a memória, tanto a do indivíduo quanto a
coletiva, sendo ligada aos rituais que envolvam estudos, memorização,
lembranças e até mesmo regressões a vidas passadas, pois os arquivos
Akáshicos estão ligados a esta Deusa.
Moiras (Parcas): Três Deusas do Destino, representando as 3 faces do
feminino: Cloto (Nona) - a Donzela (a que tece o fio da vida); Láquesis
(Décima) - a Mãe (a que mede o fio); Átropos (Morta) - a Anciã (a que corta,
a qualquer tempo, o fio da vida). Até os Deuses estão sujeitos às suas leis.
Rituais que envolvam destino, karma e dharma, nascimentos e partos,
casamentos e fim de um ciclo.
Musas: Nove Deusas Lunares, filhas de Zeus e Mnemosine, foram criadas para
cantarem a vitória dos Olímpicos sobre os Titãs. Elas são: Clio, “a regente
da fama”, da história e dos escritos; Euterpe, “a regente da alegria” e da
música; Thalia, “a festiva” e regente da comédia; Melpômene, “a
entristecida” e regente da tragédia; Terpsicore, “a amante da dança” e do
canto; Erato, “a que desperta o desejo” e regente da poesia erótica;
Polimnia, “a que medita” e regente da meditação e dos hinos; Urânia, “a
celeste” e regente da astronomia; Calíope, “a que tem a voz bonita”, regente
da poesia épica.
Nêmesis: Conhecida também como Adrastéia (a Inevitável), filha de Nyx, é
responsável pela aplicação da Justiça Divina sobre os mortais infratores; é
a vingadora dos Deuses e Deusa da Retribuição Kármica. Ela vem para
reestabelecer a ordem.
Nike (Victoria): Filha de Palante ou Pallas e Estige, é a personificação da
vitória, devendo ser evocada em toda e qualquer situação que envolva ganhos,
sucesso, vitória, poder.
Nyx (Noite): Filha do Cáos primordial, Nyx está ligada aos rituais noturnos,
aos mistérios mais tenebrosos que envolvem a escuridão de sua noite. Muito
ligada às bruxas, à Lua e à magia negra (alta ou baixa).
Pandora: Também chamada de Anesidora, é uma antiga Deusa da Terra e da
abundância, sendo citada nos mitos gregos, como a primeira mulher, criada
pelos Deuses, e que deixou todos os males que assolam a humanidade escaparem
de sua caixa, conseguindo salvar a esperança, que por algum motivo, estava
ali com aqueles males.
Perséfone ou Kore (Prosérpina): Filha de Zeus e de Deméter, é a esposa de
Hades e Rainha do Mundo dos Mortos, tendo sido raptada pelo Soberano do
Submundo que se apaixonara por ela; é a ponte entre os mortos e os vivos,
entre as trevas e a luz, revelando mistérios através de sonhos proféticos,
mediunidade e premonições.
Psiquê: Seu nome significa “alma, sopro” e foi uma belíssima mortal pela
qual Eros se apaixonou, e que foi divinizada após tanto lutar para recuperar
a confiança do Deus do Amor; Psiquê é evocada, quando alguém quer encontrar
o amor puro e verdadeiro.
Rhea (Ops): Mãe dos Deuses gregos, filha de Gaia e de Urano e esposa de
Cronos, está ligada às colheitas e à fartura destas. Mãe-Terra, reverenciada
nas ilha gregas e assimilada pelos romanos no culto de Bona Dea e de Ops.
Selene (Mene ou Luna): O segundo aspecto da Lua; a Lua Cheia como amante e
noiva, é retratada como uma linda mulher com uma tiara de prata em forma de
meia-lua, de longos cabelos loiro-prateados. Pan, o Deus dos Bosques se
apaixonou por ela. Deusa de grande importância na magia e nos encantamentos.
Tethys: Titânida do mar, filha de Gaia e de Urano e esposa de Oceano, seu
irmão e da mesma raça dos Titãs. Mãe das Oceânidas e dos Rios, era,
juntamente com Anfitrite, festejada apenas pelas mulheres com a dança Tratta.
Thêmis (Justícia): Titânida e Deusa da Justiça Divina, representada com uma
balança na mão e vendada, é a conselheira dos Deuses, em especial de Zeus,
que foi seu esposo; está ligada, não só à Justiça, mas também aos
aconselhamentos e aos oráculos.
Tyque (Fortuna): Deusa ligada ao acaso e à sorte que vem acompanhada deste,
era muito evocada pelos jogadores que necessitavam de sorte; está associada
também ao Destino, assim como as Moiras, e deve ser evocada sempre que se
estiver querendo dar uma virada nos acontecimentos, pedindo sorte
inesperada.
“A Deusa já foi reverenciada em todas as partes do mundo sobre diferentes
nomes e aspectos. Seu nome varia, mas sempre foi venerada como princípio
feminino eterno e estático que está presente no tudo e incluso no nada. Ela
é o poder do feminino que dá vida ao mundo e fertiliza a terra”.
A Deusa não esta ligada somente as manifestações da terra, pois Ela
representa as forças celestes. Ela é a dona do anoitecer, guardiã dos
sentimentos, do interior da alma humana e do destino do homem. Ela é uma
presença contínua que esta além do tempo e do espaço.”
Deus Cornífero
O Senhor da Natureza
“Eu sou Aquele que está no princípio e no fim do tempo.
Estou no calor do sol e na frieza da brisa.
A faísca da vida está dentro de mim.
Assim como a escuridão da morte;
Pois sou a causa da existência
E o porteiro do final do tempo.
Senhor-morador do mar,
Você ouve o estrondo dos cascos sobre a praia.
E vê as marcas nas espumas por onde eu passo.
Minha força é tanta que posso erguer o mundo e tocar as estrelas.
Ainda assim, sempre sou gentil como amante.
Sou Ele a quem todos encaram na hora marcada,
Mesmo assim não devo ser temido, pois sou um irmão, amante e filho.
A morte não é senão o início da vida
E eu sou Aquele que gira a chave.”
Raymond Buckland
O Deus Cornífero possui inúmeros nomes.
.
Ele é chamado de Consorte da Deusa, Doador de Vida, Senhor da Morte e
Ressurreição, Deus das Sementes, Flores e Frutas, Antigo Deus da
Fertilidade, o Senhor da Dança.
Ele é conhecido por Cernunnos, Cornífero, Pan, Osíris, e outros incontáveis
nomes. O Deus é adorado sob muitas formas e nomes, mas o aspecto predominante
venerado por nossos antepassados foi o Deus Cornífero. O homem do período
Paleolítico de 12 mil anos atrás retratou inúmeras vezes nas paredes das
cavernas o Deus Cornífero da Caça, um ser meio homem meio animal.
O Deus Cornífero teve uma força dominante, mesmo depois do aparecimento de
novos Deuses. Esse poderoso arquétipo continuou existindo durante 10 mil
anos, depois de aparecer primeiramente em pinturas rupestres nas paredes das
cavernas. Chifres sempre foram sinais de algo Divino. Na Babilônia, o grau de
importância dos Deuses era identificado pelo número de chifres atribuídos a
Ele. Um exemplo principal é Ishtar, uma antiga Deusa, detentora de sete
chifres.
Alexandre, o Grande, se declarou um Deus depois de tomar o trono do Egito
e, para demonstrar o seu poder, encomendou uma pintura sua ornada de chifres
de carneiro. O Alcorão chama Alexandre de “Iskander Dh’l Karnain”, que quer
dizer “Alexandra dos dois chifres”. Uma alusão ao seu nome é preservada até
hoje em Tradição Alexandrina, na qual o Deus é chamado de Karnayana.
O Deus Cornífero simboliza a força masculina da Natureza. Ele é a
“contraparte” da Deusa. Nós, Wiccanianos, vemos o Deus representado pelo
Sol. Desde tempos imemoráveis, as mudanças das estações foram percebidas
como padrões diferentes de calor do Sol ou, então, do Deus. Nós, Bruxos,
celebramos as mudanças das estações com rituais especiais, chamados de
Sabbaths, que ocorrem oito vezes por ano. Embora o Sol e o Deus ainda sejam
vistos como originadores dessas mudanças, a Deusa também é venerada nessas
ocasiões, pois é através Dela (a Terra) e Dele (a semente fertilizada e o
Sol fertilizador) que todos seremos nutridos.
O Deus Cornífero é representado por um homem com cabeça de humano e pernas
e chifres de cabra ou cervo. Nos tempos antigos Ele era invocado antes de o
homem sair para caçar, para abençoar o caçador com sucesso e fartura. O Deus
Cornífero não é só o Caçador, mas também é considerado a própria caça. Ele
era visto como um animal sacrifical, imolado para que o Clã pudesse
sobreviver durante os sucessivos meses de inverno. Ele é o Sol durante o
dia, mas também é o Sol da meia-noite. Ele é o Senhor da Luz, mas também da
Escuridão da noite, das Sombras, das profundidades da floresta, das
profundezas do submundo. Ele era reverenciado e invocado antes das sementes serem plantadas e
novamente quando eram colhidas. Ele se mostra na terra vivente, na grama,
nas árvores e na vinha. Esse aspecto é o Deus da Morte, que é enterrado como
semente e que ressurge novamente verde e jovem na Primavera, renascido do
Útero da Grande Mãe. Ele se mostra também nas colinas estéreis e frias, nos
ventos indomáveis e nas planícies de Inverno.
O Deus Cornudo é o espírito de vegetação, das coisas verdes e crescentes,
da floresta e do campo. Dionísio, Adônis e muitos outros Deuses da vegetação
e colheita eram freqüentemente descritos como cornudos e eventualmente
usavam chifres de touro, cabra, carneiro ou veado.
Muitos Wiccanianos chamam o Deus de Cernunnos, que é a versão Céltica e
Galo-romano do Deus Cornífero. Um altar para Cernunnos foi descoberto
debaixo do que é agora a Catedral de Notre-Dame, em Paris, França. Herne, o
Caçador, também é usado freqüentemente para designar o Deus. Muitas
variações dos nomes do Deus aparecem como nomes de alguns lugares na
Inglaterra. Cerne Abbas, na Inglaterra meridional, é um exemplo.
O Deus Cornífero foi transformado no “Diabo” cristão por aqueles que foram
tentar difundir sua fé na Europa Antiga. Muito antes de o Cristianismo
emigrar dos desertos de Jerusalém, o Deus Cornífero era tido como o símbolo
da vida, da sexualidade, do êxtase, da liberdade e da indomabilidade.
Muitas deidades Pagãs foram absorvidas pelo Cristianismo. Porém, o Deus Cornífero transpareceu num semblante ameaçador os primeiros cristãos. Ele
era um Deus animalesco e sexual. Uma Divindade da noite e da floresta.
Considerando que o Cristianismo era uma religião praticada durante o dia, em
templos, ele não teve lugar e teve que ser excluído. O Cristianismo viu a
sexualidade como a escuridão e o mal, e o Deus Cornífero foi identificado
como o princípio do mal, chamado por eles de Diabo. Ainda assim, o Deus
Cornífero sobreviveu por séculos de supressão e difamação.
Consideremos os muitos modos nos quais o Deus Cornudo sobreviveu. O
folclore o retratou como Robin Goodfellow e Puck. Puck é o personagem
principal em Sonho de uma Noite de Verão, peça na qual Shakespeare
desenvolveu em um dia de Sabbath (Solstício de Verão-Litha) a trama da
história. O Homem Verde (Green Man) ainda é venerado em celebrações e é um
símbolo comum achado nas paredes das tavernas na Inglaterra.
O Deus da Wicca não é Deus vingativo, transcendente, ideológico, que mora
no céu. Ele é forte e poderoso, mas não deve ser temido. O corpo dele é de
um homem, mas os seus pés são patas, e os chifres capturam os poderes dos
céus, do Sol e das estrelas. Ele é Deus do constante renovar, do movimento
eterno, e é considerado a própria força crescente de vida. O Deus Cornífero
é o caçador, o guerreiro, o gerador, o Rei da terra, e representa ao mesmo
tempo as mudanças e verdades.
É o Deus visto com características duais. Ele é o Deus do Verão e do
Inverno. Ele é o Rei do Sol, o Rei do Milho e o Homem Verde, honrados no
Verão. Ele é o Senhor do Submundo, o Caçador, o Pastor e o Curandeiro, na
sua face do Inverno. Ele é o Sol renascido no Solstício de Inverno que traz
vida e alegria, mas também o Senhor da Luz e da Morte.
As Faces do Deus
Entrar em contato com a energia do Deus é um processo vital para a
recuperação de nossos dons perdidos ou esquecidos.
O Deus Cornífero é o Senhor da fauna, flora e animais e nos coloca em
contato com o nosso lado mais animalesco e primitivo, capaz de nos conduzir
ao centro de nossos mais puros instintos e vitalidade plena.
O Deus, assim como a Deusa, possui também três aspectos: o Cornífero, o
Homem Verde e o Ancião.
Cada uma das faces do Deus está associada a um período da evolução humana e
de nossa própria vida.
Meditar com o Deus nos traz a possibilidade de contatarmos o nosso Eu mais
profundo. Isso traz um processo de integração total com a Natureza e os seus
ciclos, além de possibilitar uma maior interação com a vida e a humanidade
como um todo.
O Cornífero
É a face do Deus que exerce domínio sobre as florestas. Ele é a
representação da Natureza intocada e de tudo o que é livre. Nesse aspecto o
Deus assume a face de Caçador e representa a renovação, virilidade, força,
fertilidade e vitalidade. O Cornífero exerce domínio sobre os animais
selvagens e ferozes. Esteve em contato direto com a humanidade
principalmente nos períodos Neolítico e Paleolítico, onde os homens
subsistiam principalmente da caça.
Os exemplos associados à face de Cornífero do Deus:
Cernunnos: Deus celta, portador de chifres é regente dos animais selvagens e
bosques. Está associado à fertilidade e fartura.
Pan: Deus grego dos campos e bosques. Está associado à vegetação, ao êxtase
e ao vigor sexual.
Dionísio: Deus grego que assumia a forma de touro ou bode, ambos símbolos
da fertilidade. Está associado à fertilidade e tinha a capacidade de morrer
e renascer.
Esus: Deus celta associado ao touro, que era acompanhado freqüentemente por
três pássaros. Posteriormente, foi identificado como Cernunnos. Está
associado ao Submundo e muitas vezes era representado brandindo um machado
contra uma árvore.
Odin: Deus germânico associado à magia, à guerra e ao êxtase. Muitas vezes é
representado portando um capacete de chifres e acompanhado por um cervo.
O Homem Verde
O segundo aspecto do Deus é o Homem Verde (Green Man), Ele é o Senhor da
Colheita e de toda a Natureza cultivada. Está relacionado aos grãos e ao
desenvolvimento da agricultura. Exerce domínio sobre a vida e o crescimento
das plantas. É ele que nos traz a alegria, a felicidade. Está associado aos
excessos e ao êxtase provocado pelo vinho, tão sagrado para as culturas
primitivas. Nessa face Ele assume vários papéis, principalmente o de Filho e
Amante da Deusa.
Os exemplos associados à face do Homem Verde do Deus são:
Green Man: Uma Divindade que aparece em várias representações como um homem
coberto de folhas. Está associado às florestas, à alegria, à descontração.
Sua face com múltiplas folhas aparece em construções de antigas tabernas,
espalhadas por toda a Europa, representando a sua ligação com a embriaguez
através do vinho. É o portador de alegria.
Baco: Deus romano da fertilidade e do vinho. Suas cerimônias sagradas, as
bacanais, eram marcadas por excessos de todos os tipos, principalmente os
alcoólicos.
Dionísio: Aparece muitas vezes como o Deus da embriaguez. Segundo as crenças
gregas, ele era o criador do vinho e suas Sacerdotisas, as Mênades, corriam
e dançavam nuas pelos bosques, atordoadas pelo efeito do vinho (tido como o
próprio Deus), agitando tochas e bastões de tirso nas mãos, em homenagem ao
Deus.
Sileno: O tutor de Dionísio e o líder dos Sátiros. Muitas vezes representado
como um Deus careca e barrigudo. Está relacionado à fertilidade e ao êxtase,
em todas as suas manifestações.
O Ancião
O Ancião é a terceira face do Deus e representa o conhecimento acumulado e a
sabedoria. Exerce domínio sobre os conhecimentos ocultos e sobre a Magia.
Ele é o Deus das Sombras, aquele que conduz as almas dos homens ao Outro
Mundo. Está relacionado ao início das civilizações.
Os exemplos associados à face de Ancião do Deus são:
Dagda: O bom Deus dos celtas irlandeses. É o Deus que ocupa lugar
preponderante entre os Tuatha de Dannan. Seu título “Ollathir” significa
“Pai de todos”.
Cronos: Deus grego do tempo e do destino dos homens. Ele castrou seu pai,
Urano, e assumiu o domínio do mundo. Para não perder seu trono engoliu todos
os seus filhos, menos Zeus, que mais tarde o suplantou e tornou-se o grande
pai dos Deuses.
Teutates: O mais poderoso dos aspectos do Deus, entre os celtas, Teutates
está associado às guerras, mas aparece muitas vezes como um Deus da
fertilidade e abundância. Era considerado o Rei do Mundo.
Plutos: Deus grego das riquezas. Em uma de sua lendas ele aparece como um
velho cego que distribui riquezas e presentes de maneira aleatória e
injusta.